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Crônicas e Agudas

Marcelo Freda Soares


 

Renúncia


  Maria Antonieta quase perde a cabeça.

 

  Os telefonemas fora de hora não foram suficientes, sempre esperou e acreditou mais em Eduardo do que devia. Só trocara o turno porque ganharia mais. Bom companheiro , um grande pai, que digam as meninas, Rita e Carolina. Bem verdade não sabia onde estava o dinheiro, não havia luxo, nem desperdícios, mas não dava mais. Teve que aceitar as noites de ausência. Ele devia saber. Dizia orgulhosa do carinho que tinha, da dedicação, integral, até a pouco. Depois surgiu esta tia. Não lembrava saber dela, não de tanta obrigação a que lhe devia, mas desde que fora pra a clínica, lá ia Eduardo quase todos os dias. Julieta, já que o resto da família abandonara, era assumida com tal responsabilidade que surpreendia. Tardes de visita, noites de trabalho, telefonemas, indícios.

 

  Lembrava deles namorando, ouviam Chico. "Se for menino é Francisco". Chegou Rita, levou seu sorriso, depois Carolina e o tempo passou, só ela não via. Abandonada, quem era Julieta?

 

  A cama vazia, a tarde sozinha, a louça, a cozinha. Outro telefonema: "Aqui é Maria. Responde vadia!" Será que assumira, saber já sabia.

 

  Maria Antonieta quase perde a cabeça, mas que volte Eduardo, que o jantar esta pronto, que cuide da tia mas não trabalhe de barriga vazia.
 


 

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