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Crônicas e Agudas

Marcelo Freda Soares


 

 Luto

Ela, abre a porta e calma. O dia não foi o que devia ter sido, menor espectativa tranquiliza o sentido de dever cumprido. Adentra, a luz amarelada de final de tarde engana, é madrugada. Livro aberto, cobertor jogados, era cedo e rápido partira sem maior desculpa, trabalho, rotina é pretexto, capítulo vencido, mal acabado o texto, o livro aberto, esqueço. Descansa e senta, mau hábito esquecer TV ligada e alta. Partira sozinha, ele saiu primeiro, notícia distante ouvira, desespero. Encosta, a fronha escapa ao travesseiro. Corpo frio precisa um banho, o cheiro, umidade zela em preservar odores, aguarda demorada a volta imprecisa e falha. Chora, saber estar só, recorda. A cama, corpo frio inerte, o livro, luz que amarela a nota, a vida que saiu primeiro, a morte imprecisa volta, ao texto, esquecido ao meio.


 

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