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Congruência
Quando me chamou de tio quase bati a porta. Um metro e
oitenta, barba cerrada e um saco na mão, cheio de limões.
-Tio é o seguinte..dá uma força que eu to precisando duns troco! Coisa
pouca.
-Olha, eu não tenho nada aqui, passa outra hora.
-Qual é tiozinho, dá uma força, a parada é a seguinte eu to mal, peguei
uma super gripe, tô tri inchado, não sinto merda de cheiro nenhum, e to
precisando fazer a receitinha da vovó! Cinco real e fica legal! Qual é ?
-Qual é? É a tua cara, te liga, pensa que não manjei , vais comprar
cachaça, só falta me pedires uma porção de açúcar para a caipirinha!
-Boa idéia tio, nem tinha pensado nisso não, olha a economia. Que
aspirina nada, se ganhar açúcar ainda sobra mais para a cachaça. Vai lá tio,
dois pila e deu. Legal!
Atônito e pronto para correr o safado, fui surpreendido por mim. Meti a
mão na carteira e dei o dinheiro, num inesperado prazer em transgredir meus
próprios conceitos.
Quando já saia satisfeito, ainda o chamei:
-Volta aqui, espera que vou te alcançar o açúcar.
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